segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

De Fato, Olfato

Quem de nós, que venha a ter um mínimo de sensibilidade olfativa, nunca sentiu o famoso cheiro de café?
Ah, seu odor, desde seus grãos moídos e torrados até o final de seu preparo é algo 'unique', apreciado por seus degustadores. Em algumas ocasiões até para quem não se agrada de seu sabor, como eu. Pois é, não gosto de café,apesar de apreciar seu aroma.Provavelmente isso se deve ao fato de sua presença de manter desde minha infância, na hora do (perceba sua imponência) café da manhã e dos lanches à tarde. Alguns anos mais tarde, tive o dissabor de prová-lo... Mas isso não tirou aquela marca que ficou guardada em momentos específicos. Hoje o cheirinho de café até abre o apetite...! Mas sem degustá-lo, claro...

Não, não vim dizer de paradoxos mentais e crises de identidade que tenho como café! O que merece destaque é a marca que o cheiro pode trazer para nós,das formas mais diferentes possíveis, podendo até criar uma linha do tempo,como percebi há alguns dias, levando-me a mergulhar nesse mundo de cheiros e histórias.

Lembro-me de meu avô quando sinto o cheiro de seu perfume; este era usado desde minha infância, quando era mais comum algumas pessoas fazerem fogueiras na rua, queimando folhas secas e algumas vezes papel, eu acho... Bom, pelo menos era esse o cheiro que eu sentia nos fins de tarde, onde ele morava, há muitos anos...
Já outro perfume faz-me recordar, com riqueza de detalhes, uma específica viagem que realizei. Incrível como toda vez que o percebo,lembro de situações que, por muitas vezes, as fotos não me fazem recordar.
Cheiro de grama já me remete a férias. De condicionadores, a meninas,cada qual com o seu. E para quem era do tempo do mimeógrafo? Papel com cheiro de álcool!
Mas engraçado que todas essas lembranças foram 'reativadas' por um perfume que havia me causado um incômodo, uma tristeza repentina e inexplicável a princípio... Mais tarde lembrei que o mesmo remetia a um momento ruim que passei, onde ele se fazia presente. Bom, o perfume não era tão horrível, mas agora passou a ser um tanto quanto insuportável.

Essa, é apenas parte da minha linha do tempo (ou mapa de fatos) dentre as incontáveis outras existentes que podem ser narradas pelos cheiros marcantes. É criada em nossa mente algo único, como uma impressão digital, onde ninguém poderá registrar ou reproduzir da forma que você o fez.
O avô que não está mais, a viagem que já aconteceu, as histórias e infância que não voltam...

Infelizmente não tenho um catálogo desses aromas mais marcantes guardado comigo.Talvez fosse interessante criar um, mesmo sem tê-los disponíveis. Quem sabe em breve algum deles passe por mim e eu descubra seus nomes...
E você, lembra de algum cheiro?
Nostálgico?

Pois é...

2 comentários:

Anônimo disse...

Interessante abrir um post sobre cheiros... lembram não apenas pessoas, como determinadas épocas, lugares ou até mesmo uma cena específica, sejam coisas boas ou ruins. Engraçado que o cheiro do Centro Cultural me remete a cursinho... e, logo, me remete a uma época boa... quando o cheiro lembra algo bom, é gostoso ser surpreendido com o perfume quando se está distraído... por outro lado, quando o cheiro lembra algo ruim, é igualmente ruim trazer de volta a lembrança.
E, nas duas situações... é só o cheiro... e só a lembrança... algo que passou e não volta mais (a não ser que se refira a algo ainda presente no cotidiano)

Anônimo disse...

hmm... cheiro de mimeógrafo!!! não lembrava disso! mto nostálgico!!!